quinta-feira, 21 de maio de 2009
Folksonomia
A folksonomia traz um novo tipo de link, a tag. Tags são etiquetas que descrevem o conteúdo dos documentos armazenados, conforme o que o autor julgar necessário, colocando em ordem as informações (para facilitar a localização).
As tags ajudam muito, já que as palavras-chave não são definidas pelo programador, mas criadas pelos próprios usuários, que de forma coletiva, representam, organizam e recuperam os dados na Rede.
No momento em que os próprios usuários organizam a informação (de forma que possam recuperá-la através de uma busca por conexões e significados), percebe-se a ocorrência de alteração dos padrões organizacionais dos dados na Rede: tradicionalmente as informações foram organizadas através da taxonomia, ordenando as informações com um vocabulário controlado pelo programador. Dessa forma, o resultado das buscas eram definidos em função de uma determinada listagem de palavras relacionadas definidas pelo profissional especializado em organizar informações, limitando a pesquisa.
Textos feitos por Carolina Brandão e Helena Meirelles
quarta-feira, 20 de maio de 2009
INTELIGÊNCIA COLETVA
“Aproveitar a inteligência coletiva” é um dos princípios da Web 2.0, conceito designa uma segunda geração de comunidades e serviços, tendo a "Web como plataforma", envolvendo wikis, aplicações baseadas em folksonomia, redes sociais e tecnologia da Informação.
A Web 2.0 privilegia a troca de informações e a colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais. A idéia é que o ambiente on-line se torne mais dinâmico e que os usuários colaborem para a organização; os usuários podem participar mais, trocando informações e colaborando com os sites. Assim, essa segunda geração da World Wide Web viabiliza funções que antes eram conduzidas por programas específicos instalados num computador, e agora é disponibilizado à todos os computadores que conectarem o servidor.
Dentro deste contexto, alguns exemplos: a enciclopédia Wikipedia (informações disponibilizadas e editadas pelos próprios internautas), os serviços on-line interligados, como oferecido pelo Windows Live (página da Microsoft que integra ferramenta de busca, de e-mail, comunicador instantâneo e programas de segurança) e os diversos blogs espalhados pela rede, onde os internautas “postam” os mais diversos conteúdos. Outra inovação da Werb 2.0 são os hiperlinks que “à medida que os usuários adicionam conteúdo e sites novos, esses passam a integrar a estrutura da rede à medida que outros usuários descobrem o conteúdo e se conectam a ele” fazendo com que a rede tenha cada vez mais conteúdo e interatividade.
Muitos consideram toda a divulgação em torno da Web 2.0 um golpe de marketing. Como o universo digital sempre apresentou interatividade (outro conceito polêmico), o reforço desta característica seria um movimento natural e, por isso, não daria à tendência o título de "a segunda geração". Entretanto, o número de sites e serviços que exploram esta tendência vêm crescendo e ganhando cada vez mais adeptos. Em nossa opinião, a maior vantagem da Web 2.0 é o maior poder conferido ao usuário, que pode gerar conteúdo e mexer no conteúdo gerado por outros usuários. Entendemos que isso não seja uma inovação, mas parte de um processo em evolução.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Google: até que ponto se pode confiar?
O que aconteceu foi bem surpreendente para muitos: alguns usuários do Google Reader tiveram perda de dados. Eles afirmam desaparecimento de alguns feeds, e em alguns casos, o produto parece ter sido reiniciado. O Google Reader é um aplicativo no qual os usuários podem adicionar novos feeds utilizando a própria busca interna do produto, ou fornecendo a URL exata do feed RSS ou ATOM que deseja assinar. Feeds são usados para que um usuário de internet possa acompanhar os novos artigos e demais conteúdos de um site ou blog sem que precise visitar o site em si. Sempre que um novo conteúdo for publicado, em determinado site, o "assinante" do feed poderá ler imediatamente.
Um dos usuários declarou que chegou a enviar para a Google um e-mail solicitando o backup (cópia de dados de um dispositivo para o outro) dos feeds. A resposta foi um e-mail automático redirecionando-o para outro assunto divergente como, por exemplo, criação de uma conta Google. Aí fica a pergunta: até que ponto se pode confiar nos serviços disponibilizados pela Google? Atualmente, muitas pessoas recorrem a essas funções para salvar documentos importantes.
Para a Google, não há grandes explicações. Quando publicados as primeiras notas e comentários a respeito do fato, a empresa disse que já tinha o conhecimento do problema e que estavam trabalhando para normalizar o serviço. Após o anúncio, usuários reportaram o reaparecimento de seus feeds.
O que se deve entender e se aplicar é que nenhum sistema é infalível e que problemas acontecem. Por isso, pode-se confiar em serviços como os que a Google oferece, mas tendo um cuidado maior em salvar em outro dispositivo aqueles que não podem ser perdidos.
Por Ana Carvalho e Larissa Becko
quinta-feira, 23 de abril de 2009
“É a partir de um imaginário vivido em comum que se inauguram as histórias humanas.”
Será contraditório constituir novas agregações, novos grupos primários, microgrupos, e ao mesmo tempo revivificar uma só sociedade? Esse é o conceito de Thiases, proposto por Maffesoli ao falar de um modelo tribal “religioso”. Na verdade essa contradição parece ter sido a “grande sacada” do cristianismo ao se originar, justamente, em pequenos grupos: “Nada como as seitas pouco numerosas para conseguir fundar qualquer coisa”. A Proximidade de seus membros cria laços profundos (sinergia das convicções/ eficácia simbólica). O autor ainda faz uma distinção entre tipo-igreja e tipo-seita. Cabe ressaltar que a seita é, antes de tudo, uma comunidade local que se vê assim, e que não tem necessidade de uma organização institucional visível. Michel acredita que, seguindo essa mesma lógica, os grupos que constituem as massas contemporâneas não têm ideal, já que não têm visão daquilo que, em termos absolutos, deve ser uma sociedade.
Assim, cada grupo é, pra si mesmo, seu próprio absoluto. A valorização do grupo, contudo, é uma desconstrução do individualismo, garantindo a tonicidade daquela sociedade. Daí vem a sua perspectiva “concêntrica” – os diferentes círculos que a compõem se ajustam uns aos outros, e não valem senão enquanto ligados. Ou seja, o que importa são suas relações. Com a modernidade, essas relações são multiplicadas cada vez mais - a lógica das redes está se impondo nas massas contemporâneas.
Mas o que mantém um grupo unido? Algo que os membros partilham apenas entre si. Como um segredo, estritamente compartilhado. Essa é a lei do segredo: “dos assuntos de família, não se fala”. Estaríamos agora entrando em outra contradição? O segredo, o ‘esconder’, é vetor de agregação assim como a aparência, o ‘mostrar’? É esse paradoxo que justifica a importância da teatralidade: “uma ostentação manifesta pode ser o meio mais seguro de não ser descoberto.” A agressividade de alguns looks ilustra a vida secreta e densa que essas pessoas vivem. É a forma de “mostrar” o quanto eles têm de segredos. São misteriosos, diferentes para os outros, mas, entre si, podem partilhar qualquer coisa. É assim que o grupo é fortalecido, levando à autoconservação (“egoísmo de grupo”). Ou seja: partilhar um hábito, uma ideologia, um ideal, determina o estar-junto, e permite que este seja uma proteção contra a imposição (colletive privacy). Michel fala até de um “efeito equalizador da pratica coletiva do proibido”, já que a confiança se estabelece entre os membros do grupo. Criar um novo segredo, romper com o que é comumente admitido é acentuar a agregação social.
Podemos ver a pura criação de modos de viver, sendo a constituição em rede de microgrupos contemporâneos a “expressão mais acabada da criatividade das massas.” Novamente, a lógica tribal não pode existir senão inserida na massa. “Modos de vida estranhos uns aos outros podem engendrar, em pontilhado, uma forma de viver em comum.”
Surgem algumas questões....
O indivíduo compartilha da identidade, das opiniões, dos hábitos de um determinado grupo ao qual pertence. Ou seja, segue um determinado perfil. Será que a valorização do inédito, do diferente, da originalidade e da personalidade vem ‘”suprir” essa “falta” de identidade individual? Ou será que o indivíduo não tem essa necessidade?
Segundo Michel, tribos são formadas por simpatias quanto a ideologias, costumes, gostos, etc. E quanto à apatia? A diversidade de grupos dá margem ao preconceito. Não seria essa uma interferência negativa na harmonia do todo, contradizendo o autor quanto à “tonicidade” da sociedade a partir dos grupos?
Em um grupo, entre os “segredos” partilhados, pode existir valores diferentes de “moral”, por exemplo: “sempre existe uma certa moral dentro da imoralidade.. uma certa moral que o clã forjou somente para si mesmo” e que tem por corolário a indiferença diante da moralidade em geral. Isso também poderia contradizer a idéia de que a formação de grupos dá maior tonicidade à sociedade e assinalar para uma fragilidade social?- É sabido que comunidades como favelas, por exemplo, têm suas próprias leis, normas de conduta, etc. De que forma os “segredos” compartilhados acabam interferindo numa ordem maior, como a legislação de um país? Estariam esses grupos fora da análise do autor, na medida em que seus membros não estão lá por escolha (socialidade eletiva)?
Como pensaríamos a interferência na sociedade de tribos que fogem à escolha de seus membros?
Nathália dos Santos Silva e Vanessa Gonçalves
O Tempo das Tribos – Tribalismo e Neotribalismo
Dentro da sociedade de massa, nos cruzamos o tempo todo, interagindo, estabelecendo contato e nos preocupando com o presente coletivo, de modo que invariavelmente acabamos operando em grupos. Tais movimentos podem ser evidenciados no ambiente comunicacional contemporâneo da pós-modernidade, onde os locais são desterritorializados, possibilitando o avanço do solidarismo, das ações e das retroações (elementos básicos de uma tribo sólida).
Desse vaivém de informações entre a massa e as tribos é que surge a fluidez do neotribalismo, que, ao contrário da estabilidade do tribalismo clássico, permite que o indivíduo represente diversos papéis sociais, tanto na sua atividade profissional, quanto no âmbito das tribos que participa. Isso ilustra perfeitamente o desejo de mobilidade social que as pessoas têm hoje em dia, e até mesmo a necessidade de um profissional estar apto a atuar em várias áreas – a interdisciplinaridade.
As grandes cidades contemporâneas, caracterizadas pela heterogeneização e também pelo pluriculturalismo foram um dos fatores que contribuíram para a formação dessas “tribos urbanas” – expressão cunhada pelo próprio Maffesoli – que são constituídas por diversos pequenos grupos que estabelecem uma rede de amigos com interesses em comum. Esses interesses podem se basear na opção religiosa, em tipos de vestimenta, de músicas, de atividades, de costumes, entre outros.
Cada um desses microgrupos que se forma, irá dividir um espaço – não necessariamente físico, mas também virtual, como, por exemplo, as comunidades do Orkut. Além disso, se formarão a partir de um sentimento de pertença comum, terão um código de ética específico e poderão criar laços estreitos. Os grupos de patricinhas, os hippies, os evangélicos, os emos, entre outros, são exemplos atuais das variadas tribos que surgiram a partir da reunião de membros sociais com interesses em comum, dispostos a interagir e determinar a vida social que mais lhes agrada.
Com o surgimento da internet, esses grupos puderam se fortalecer de uma forma absurda, tendo em vista que é muito mais fácil encontrar pessoas com interesses em comum conectadas à rede. Além disso, mesmo que se formem na internet, é bem provável que ultrapassem esse limite virtual e se encontrem pessoalmente. Hoje, com as ferramentas que temos para encontrar na web o que desejamos, esses grupos podem se formar com ainda mais facilidade e rapidez. Maffesoli chama isso de “desinstitucionalização“, que é quando os grandes sistemas e as demais macroestruturas estão saturados.
Agora, mais do que nunca, percebemos o real valor que a sinergia das forças que agem na sociedade podem agregar ao avanço tecnológico. Redescobrimos que o indivíduo não pode existir isolado. Pelo contrário, deve estar sempre conectado aos demais por meio de culturas, costumes e até mesmo pela comunicação, estabelecendo um “laço de reciprocidade” tão forte quanto a capacidade de, junto aos demais pertencentes à tribo, evoluir.
Cristina Shutz e Henrique Casagranda
terça-feira, 21 de abril de 2009
O tempo das tribos: o declínio do individualismo nas sociedades pós-modernas
O autor fala da passagem da “polis ao thiase” ou da passagem da ordem política à ordem da fusão. A ordem política privilegia os indivíduos e suas associações contratuais e racionais, que tem uma consistência própria, uma finalidade, já a ordem de fusão acentua a dimensão afetiva e sensível das associações. Essa ligação entre as massas não precisa ser através de um contato constante ou freqüente, ela vai se dando através de pequenas afinidades, de elementos em comum entre pessoas que vão cristalizando grupos massificados, o que Maffesoli chama de relação táctil.
As mensagens de computador, as redes sexuais, as diversas solidariedades, os encontros esportivos e musicais são todos indícios de um ethos em formação. E isso que delimita esse novo espírito do tempo que podemos chamar de socialidade, onde a pessoa representa papéis, tanto dentro de sua atividade profissional quanto no seio das diversas tribos de que participa. Mudando o seu figurino, ela vai, de acordo com seus gostos – sexuais, culturais, religiosos - assumir o seu lugar. O que podemos observar é que a partir dos costumes, dos desejos individuais que as pessoas vão escolhendo a que grupo irão pertencer.
O solidarismo, os encontros esportivos ou as religiões são momentos em que as pessoas começam suas relações tribais. A preocupação em estar de acordo com o grupo, de ser o mais plenamente aceito possível, faz através da massificação os reagrupamentos sociais, ou seja, está diminuindo a individualização social. Watzlawick falava do “desejo ardente e inabalável de estar de acordo com o grupo”. Essa massificação causa um certo conformismo diante do que o grupo entende por certo, e o que deveria ser uma opinião individual acaba sendo uma opinião coletiva. O autor se refere a isso como a nebulosa “afetual”, que permite compreender a forma específica que a socialidade assume nos dias atuais: o vaivém massas-tribos. Ao contrário da estabilidade induzida pelo tribalismo clássico, o neotribalismo é caracterizado pela fluidez, pela liberdade de poder trocar de grupos conforme as vontades próprias.
Essa anulação diante do grupo é muito bem ilustrada pelo autor no trecho “a teatralidade instaura e reafirma a comunidade. O culto do corpo, os jogos de aparência só valem porque se inscrevem em uma cena ampla, onde cada um é, ao mesmo tempo, ator e espectador”.
A sociedade vive e se organiza através das experiências vividas em seus grupos, que se entrecruzam e proporcionam outras experiências e situações, o que ao mesmo tempo que massifica, diferencia através de polaridades muito diversificadas.
A pós-modernidade tende a favorecer, nas megalópoles contemporâneas, ao mesmo tempo o recolhimento no próprio grupo e um aprofundamento das relações no interior desses grupos, dando a oportunidade de surgir uma multiplicidade de estilos, um multiculturalismo, onde de maneira conflitual e harmoniosa ao mesmo tempo esses estilos de vida se põem e se opõem uns aos outros. Mas existe algo de comum entre esses grupos, uma característica específica da pós-modernidade: a preocupação com o aqui e o agora, isso contribui para que as relações sejam mais intensas e vividas no presente.
Outra característica da massa moderna é o que o autor coloca como a lei do segredo. Esse é um mecanismo utilizado pelos grupos como forma de proteção em face ao exterior, isto é, em face das formas superimpostas de poder, essa é uma maneira encontrada para fortalecer o grupo. Essa sociedade secreta leva a um fechamento dos grupos, todavia, permite a sua resistência. O fato de partilhar um hábito, uma ideologia, um ideal, determina o estar-junto, e permite que este seja uma proteção contra a imposição. A união dentro dos microgrupos existe, senão, para fortalecê-los contra o grande grupo.
O tribalismo, microgrupos formadores da socialidade, sob seus aspectos mais ou menos reluzentes, está impregnando cada vez mais os modos de vida, ou seja, através de bandos, gangs, grupos ele recorda a importância do afeto na vida social. Trata-se de uma “reconsideração do conjunto das regras de solidariedades”.
Fernanda Assmann e Talita Orsolin